20 de janeiro de 2020Informação, independência e credibilidade
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No País do ‘mercado’, criança pede a papai noel um botijão de gás

Enquanto a economia cresce para os banqueiros, 4,5 milhões entraram na miséria este ano

No País da distribuição de renda mais perversa do mundo, dos banqueiros – e do tal” mercado”- a dizerem que a economia melhorou,  os dados do Cadastro Único do IBGE revelam que 4,5 milhões de brasileiros entraram em 2019  na extrema pobreza. Ou seja, vivem em pleno estado de miséria.

Os dados dizem que a pobreza extrema no país aumentou e já atinge 13,2 milhões de pessoas. Sendo que o Nordeste tem tem o pior cenário, com as maiores taxas a cada 100 mil habitantes nos Estados do Piauí (14,087), Maranhão (13,861) e Paraíba (13,106).

Mas, dizem eles que a economia está melhorando. É verdade. Melhorando para eles que trafegam pelas ruas à bordo de suas SUVs importadas e não enxergam que nas calçadas e marquises das cidades estão famílias inteiras dormindo ao relento.

Passam por elas mas não vêem. E não interessa. É a parte descartada do “mercado”, sem renda, sem apoio, sem cidadania e nem dignidade. Essa gente não entra na estatística da economia.

Quem se der ao trabalho de andar às primeiras horas da manhã pelas ruas da orla de Maceió vai perceber bem esse cenário dos excluídos, maltraprilhos, dormindo nas calçadas e embaixo de coqueiros ou proteções de barracas de praia.

Eles não importam para as igrejas ou qualquer seita, nem para os políticos. Pelo contrário. Vai haver sempre alguma autoridade para dizer que essa gente melhor estaria se estivesse morta, talvez, vitima de um certo “excludente de ilicitude”. Ou quem sabe de um fajuto “confronto”.

O silêncio da classe média em torno da questão é sintomático, conveniente. Mas, há quem diga que no Brasil de agora, a classe média tão atuante em outras oportunidades “saiu para tomar um drink com a elite brasileira e tomou o maior boa noite cinderela da história do País”.

Talvez, esteja aí a razão desse silêncio mórbido.

Quem não silenciou foi uma criança paraibana que, neste dezembro de 2019, em sua carta enviada ao Papai Noel dos Correios fez o seguinte pedido: “Eu queria que Jesus realizasse meu sonho de ganhar um botijão de gás para ajudar a minha mãe”.

O nome dele é Eloíza da Silva Souza, de 8 anos. Eloíza que o mercado não olha e nem quer ver.

E assim vai crescendo a economia deles.

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