24 de maio de 2020Informação, independência e credibilidade
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O dia em que o Considerado foi ao cercadinho do Alvorada e bateu boca com o mito

Considerado repete o haitiano e diz: seu governo acabou.

No cercadinho do Alvorada, o intruso Considerado

De quarentena em casa, como cuidador de duas idosas, a avó Nildinha e a Cega Dedé, de PJ, Considerado já meio estressado com o noticiário da pandemia, as diatribes do Presidente Jair Bolsonaro e o destrambelhamento de parte dos seguidores do chefe da nação, resolve cometer uma loucura.

Num estalo, cismou de ir a Brasília para dizer “umas verdades” ao presidente. -Onde já se viu 7 mil mortos no País, até agora, por causa do vírus, e esse cara dizer que era uma gripezinha? – Falou consigo mesmo. E, revoltado, continuou sua falação dentro do que considerou uma aberração praticada por um governante.

– O povo morrendo e esse homem fazendo piadas, dando rolé nas ruas de Brasília, tossindo na cara das pessoas, limpando o nariz com a mão e com ela suja apertando as mãos de outras pessoas, abraçando, tirando selfies. Isso não é papel de homem sério e eu vou lá dizer a ele.

Aproveitou que as duas idosas estavam dormindo, pegou o cartão de crédito de Nildinha, comprou passagem ida e volta para Brasilia e partiu para encarar Bolsonaro no cercadinho do Alvorada. Vestido numa calça caqui e camisa cor de rosa ele voou para o Planalto.

De chapéu coco marrom, chegou ao cercadinho onde se concentram os apoiadores do presidente e ficou à espera ouvindo os gritos da galera: Mito, mito, mito!

Em meio a zoada da espera, ele calado, é percebido por uma senhora oxigenada vestida na camisa da seleção brasileira, que o chama: -Ei, você de rosinha não vai gritar mito não? -Ele querendo ser firme, mas assustado, grita: -Vô, mito!

Eis que aparecem os seguranças e logo em seguida a estrela de grandeza nenhuma, para abraçar a turma do cercadinho. Abraços e beijinhos, com direitos a selfies e o “talkei”. Numa rápida folga de espaço que a oxigenada libera no alambrado do cercadinho, Considerado avança e grita:

-Bolsonaro, o povo está morrendo!

-O quê? Quem falou aí? – O homem procurou pelo intruso no cercadinho e logo identificou o gordinho de chapéu e camisa rosa, pois todos estavam abismados olhando para ele.

Deu-se então o diálogo:

– Quem é você de rosinha?

-Eu sou o Considerado!

-E daí?

-E você só sabe dizer e daí pra tudo?

-Não é assim não, talkei?

-Parece que é, pois até na morte de 5 mil pessoas o que você disse  foi: e daí?

-Pô, pô, assim você está me desconsiderando, eu sou o presidente.

-Mas, não parece. O País está se acabando e você nada.

-Afinal quem é você, é parente daquele neguinho do Haiti que veio aqui?

-Só na raça. Mas concordo com ele, seu governo acabou.

-Quem é você pra falar isso? Aqui tem comando, aqui quem manda sou seu…

-Manda até levar uma canetada…

-Como é a história? Cadê o Ramagem? Eu quero Ramagem pra tirar esse cara daqui.

-Calma Bolsonaro…

-Calma o quê, pô! Está todo mundo querendo me dar um golpe.

-É. Mas parece que quem levou um golpe foi o haitiano, pois ele desapareceu…

-Olhe seu provocador, eu não tenho nada a ver com isso.

-E quem é que tem?

-A sua mãe!

-Se fosse a minha avó eu até acreditava…

-Considerado! Considerado!

-Hein?

-Acorda miserável.

-Pôxa vó, logo agora?

-Logo agora o quê?

-Agora que eu ia dizer que o Carluxo era Fake!

 

 

 

 

 

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