8 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
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O uso de máscaras não pode ser só um problema seu. Entendeu?

Não é só um cuidar de si. É cuidar do outro também, evitando cotaminá-lo. Por isso é criminoso não usar másrcara

Infectado pelo novo coronavírus, o presidente Jair Bolsonaro passa bem. E daí? Todo mundo já sabe: ele apresentou “uma certa indisposição” no domingo, agravada “com cansaço e febre de 38 graus” na segunda-feira, testou positivo, tomou hidroxicloroquina e, de repente, num passe de mágica, passou! Rápido que nem Doril! No dia seguinte, já sabendo que estava infectado, lá estava ele, falando para jornalistas – sem máscara.

“Só pra vocês verem a minha cara”.

Rendeu-lhe uma notícia crime registrada nesta quinta-feira, no STF. A culpa é do PT, que fez a denúncia? Não! É de um chefe de nação que desde o início da pandemia tem se portado de maneira negligente e irresponsável, contra todos os cuidados e medidas necessárias para conter a disseminação do vírus que já matou mais de 60 mil pessoas no Brasil, e continua matando.

Por seu desleixo proposital, o presidente pode ter contaminando dezenas de pessoas – inclusive que não podem usar hidroxicloroquina – porque para alguns é veneno mortal – e que não têm a menor condição de fazer dois testes cardíacos por dia para monitorar o efeito do remédio, como ele está fazendo!

Tá, mas antes ele nem sabia que havia sido contagiado pelo covid-19! Exatamente por isso, o uso de máscara é tão necessário em qualquer situação de contato com outras pessoas. Nunca se sabe quem porta o vírus, até que os sintomas apareçam. E não se trata apenas de cuidar de si. Qualquer pessoa pode estar contaminado e transmitindo a doença para outras pessoas, inclusive o presidente da República.

Na condição de chefe de Estado, Bolsonaro tem contato diário com inúmeras pessoas, seja na residência oficial, no cercadinho ou numa viagem interestadual. Mas não costuma usar máscaras e nem manter o distanciamento social em suas aparições públicas e nem nas reuniões internas de trabalho – as fotos que o digam.

E não demonstra qualquer cuidado em relação aos processos de higienização necessários, para evitar a disseminação da doença. Nem antes nem depois de contraí-la.

Na semana que antecedeu ao anúncio do teste positivo, o presidente esteve com centenas de pessoas – ministros, parlamentares, embaixadores, políticos e, claro, seus apoiadores do cercadinho – abraçando, apertando mãos, conversando ao pé do ouvido, tocando objetos e colando o rostinho para fotografias. Sem máscaras!

A lista é interminável, porque basta o presidente se deslocar, mexe com gente, e por isso mesmo, deveria usar máscara o tempo todo. Só na residência oficial são mais de 100 funcionários, entre assessores, pessoal da limpeza, motoristas, seguranças, garçons, cozinheiros…

E daí que, ‘seguindo o líder’, a maioria dessas pessoas também abre mão do uso obrigatório da máscara, tornando-se multiplicadores da doença entre seus próprios grupos de contato.

Mas, e daí? Usar máscara ou não deveria ser uma decisão pessoal, não é? Não mesmo! Esse não é um problema só seu. O seu descuido em relação ao uso desse item de proteção pode custar a vida de outra pessoa que não tenha, digamos assim, um histórico de atleta para enfrentar a doença.

Falta  o que, para entender?

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