4 de junho de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

‘Pandemia é histeria’: Dono da Havan ameaça demitir 22 mil funcionários

Empresário bolsonarista é um dos homens mais ricos do Brasil e tem dívidas parceladas com a Receita Federal até o ano de 2135

É preciso muito esforço para não adjetivar de forma pesada uma ameaça como esta: alinhado com o presidente que tanto fez campanha, o empresário bolsonarista Luciano Hang, dono da Havan e com uma fortuna estimada em 2,2 bilhões de dólares, ameaçou demitir 22 mil funcionários. O motivo é a “histeria com a pandemia”.

Em Santa Catarina, sua loja só foi fechada com a chegada da polícia. E insatisfeito, foi além:

“Do jeito que estão as coisas eu posso ter que demitir meus 22 mil empregados e fechar o negócio. Eu não dependo da Havan, vou para o exterior, ou para a praia. Depois que esta crise passar ninguém vai conseguir dar vida para este defunto [o Brasil])”. Luciano Hang, o velo da Havan.

Hang com certeza sabe que seu modelo de negócios da Havan é frágil para enfrentar situações com a que estamos vivendo (baseado em retorno por volume nominal de vendas e abertura indiscriminada de lojas sem planejamento prévio de sustentabilidade em períodos de crise). Por isso, seria mais fácil abandonar o barco.

Vale lembrar: no primeiro ano do governo Bolsonaro Hang comprou um avião por R$ 250 milhões, apesar de dever mais de R$ 168 milhões à Receita Federal.

Esta dívida, aliás, foi dividida em diversas vezes e tem sua última parcela é  programada para daqui 115 anos. Isso mesmo: a dívida dele com o leão só acabar no ano de 2135.

Funcionários temem o pior

Um grupo de empregados que foi obrigado pelo Véio a trabalhar mesmo depois da suspensão ordenada pelo governador, começou a postar informações nas redes. O site Diário do Centro do Mundo teve acesso às mensagens.

Um dos comentários diz que “além de não seguir as normas governamentais para durante sete dias todos ficarem em suas casas, o Véio obriga funcionários a irem trabalhar mesmo sem transporte público, falando para pedirem carona e se virarem”.

Uma queixa deles: o setor de Telecobrança (dos carnês da rede), sem janelas, é apenas uma sala onde muitas pessoas trabalham a menos de 1 metro de distância uma da outra, ambiente ideal para a reprodução do vírus.

Em reunião privada, quando indagada, a gerente da telecobrança disse para seguir as ordens do Véio e não as diretrizes governamentais de paralisar, “porque ele é quem paga os salários de vocês”.

Funcionários indignados postaram a “decisão pensada simplesmente na questão financeira e não na real segurança dos funcionários, que mesmo sem clientes, terão que ir trabalhar”.

O Véio não perdoou e mandou embora mais funcionários, também localizados nas redes sociais, usando como motivo ‘denegrir a imagem da Havan’.

Segundo outro grupo de empregados no Whatsapp, o Véio anda muito instável nas últimas semanas, passando horas no computador na caçada àqueles que repassam qualquer info à imprensa.

“Ele é do tipo que tem uma ideia às 4h da manhã e manda áudios e mais áudios pra equipe, quer tudo pra ontem. Vai dando as ordens: fulano tal hora em tal lugar com tal e tal coisa pra gravar um vídeo assim e assado. Não importa se é feriado, final de semana, nem se o empregado está de férias”. Relato ao DCM.

O Véio da Havan parece ter respostas para todos os males da hora do Brasil, postando tudo na web. O pouco tempo que lhe sobra é para elogiar o presidente Bolsonaro.

 

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