7 de julho de 2020Informação, independência e credibilidade
Economia

Pandemia: Nas cidades em que comércio reabriu, vendas seguiram em baixa

Cliente está sem dinheiro, lojas temem falência e retomada acelera contágio do novo coronavírus

Alagoas está fadado a repetir o cenário de outros estados no país: mesmo ainda enfrentando a primeira onda da pandemia, e com casos crescentes todos os dias, o governo sofre pressão de comerciantes para o retorno das atividades. Fecomércio-AL e Associação Comercial de Maceió não aceitam outra alternativa, que não seja a reabertura já nesta segunda, dia 22.

Com mais de 90 dias de paralisação, o argumento dos comerciantes é a de que manter as portas fechadas pioraria a situação. Além da crise sanitária, se agravaria a crise econômica e as falências provocariam mais mortes. E, por isso, é preciso reabrir as portas.

Só que portas foram reabertas e mesmo assim, o dinheiro não entrou. Decisão essa que pode prolongar ainda mais os efeitos da pandemia.

Se for tomada a reabertura do comércio em São Paulo, maior cidade do país, como exemplo, vemos os empresários frustrados. Lojistas de shopping centers e de rua dizem que as vendas desde 10 de junho mostram que o consumidor ainda teme ir para as ruas e gastar nas compras.

Além do medo de contrair covid-19, o desemprego e o receio da perda da renda estão atrapalhando o comércio. E se isso não mudar logo, o setor acredita que vai haver mais falências.

Nem mesmo o dia dos namorados se salvou: as vendas caíram 55% se comparadas com 2019. Foi menos pior, mas um desastre como nos meses anteriores: em abril e maio as vendas despencaram quase 70%.

Segundo o diretor e membro do conselho da Univinco (União dos Lojistas da Rua 25 de Março e Adjacências), Eduardo Ansarah, as vendas ficaram aquém do esperado:

“É nítido que as pessoas estão preocupadas com as contas a pagar. Quem perdeu o emprego se pergunta como vai sair do atoleiro. Ele só compra o necessário. O pessoal não está com dinheiro na mão”. Eduardo Ansarah, diretor do Univinco.

Ou seja, a questão foi além da pandemia: as pessoas precisam se recuperar financeiramente antes da reabertura precoce. Até mesmo porque, em São Paulo, seguindo as regras, os locais se tornaram “hospitais” para receber clientes, que mesmo assim não vieram em peso:

“A gente preparou um verdadeiro hospital nos shopping centers para garantir a segurança das pessoas, uma situação mais segura que na rua. Mas as pessoas estão com medo de sair de casa”. Nabil Sahyoun, presidente da (Associação Brasileira de Lojistas de Shopping).

Alagoas

Os setores comerciais em Alagoas, independente de tudo, querem a retomada gradual das atividades no dia 22. Imediatamente nesta segunda-feira.

Mesmo que o plano original tenha sido o de avaliar e estudar os números da pandemia em Alagoas, para ver se seria seguro e viável. Mas o presidente da Fecomércio-AL, Gilton Lima, não quer esperar muito:

“Estamos às vésperas de completar 90 dias de paralisação. Tudo o que o empresário deseja, neste momento, é reabrir suas portas. Então, acredito que não haverá dificuldade em seguir os protocolos sanitários. O comércio está pronto para uma reabertura imediata”. Gilton Lima, presidente da Fecomércio-AL.

A pressão também da Associação Comercial de Maceió, que divulgou a seguinte nota:

A Associação Comercial de Maceió, em razão de algumas manifestações inesperadas do Governo Estadual, pondo em incerteza a retomada gradual das atividades econômicas prevista para o próximo dia 22, vem a público se manifestar nos seguintes termos:

  • Os indicadores de contágio entraram em descenso, a taxa de letalidade de Alagoas é uma das menores do país e o a taxa de ocupação dos leitos também caiu expressivamente, especialmente na rede privada;
  • Pautados no cronograma firmado pelo próprio Governo, todos os estabelecimentos comerciais se organizaram em função do programa, estruturaram-se para atendimento a todas as exigências do protocolo sanitário, adequaram seus estoques, cessaram as suspensões dos contratos de trabalho de seus funcionários, tudo o quanto necessário para a retomada, vez que, cientes de sua responsabilidade social, estão prioritariamente preocupadas com as vidas e com a saúde da população;
  • A Associação Comercial de Maceió sempre pregou a obediência civil às normas editadas pelos entes governamentais. Por isso mesmo, não pode aceitar qualquer ato que tenda ao descumprimento do programa estabelecido pelo próprio Governo ou que postergue a retomada para após o dia 22, o que somente agravará sobremaneira a crise por que passamos, tornará inevitável as demissões em massa, fechamento definitivo de diversas empresas, inviabilizará o recolhimento de tributos e, por conseguinte, gerará um rombo ainda maior nas contas públicas, tornando impossível o custeio basilar da própria saúde e dos vencimentos dos servidores.

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