9 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Parlamentares vão ao STF por impeachment de Weintraub por quebra de decoro

Pedido é assinado por parlamentares de diferentes partidos, como PT, Rede, MDB, PSDB, Cidadania, entre outros

Um grupo de 19 parlamentares promete apresentar ainda hoje ao STF (Supremo Tribunal Federal) um pedido de impeachment contra o ministro da Educação, Abraham Weintraub. Ministros de Estado estão sujeitos a pedidos de impeachment pela Lei nº 1.079/50.

Segundo o grupo, formado por senadores e deputados federais, o ministro será denunciado por crime de responsabilidade. O pedido é assinado por parlamentares de diferentes partidos, como PT, Rede, MDB, PSDB, Cidadania, entre outros.

Entre os motivos para a denúncia, estão os erros na correção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), quebras de decoro e do princípio da impessoalidade —em meio à crise do Sisu (Sistema de Seleção Unificada), Weintraub atendeu ao pedido de um apoiador pelo Twitter e pediu para que a prova do Enem da filha dele fosse novamente corrigida.

Weintraub está sob forte pressão desde a revelação dos erros na correção das provas do Enem. Apesar de o MEC sustentar que os problemas foram corrigidos, dezenas de estudantes foram à Justiça para questionar os resultados do exame.

Decoro

Usuário assíduo do Twitter, o ministro da Educação, Abraham Weintraub, não deixou a rede social de lado em meio à crise envolvendo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) e o Sisu (Sistema de Seleção Unificada), uma das principais portas de entrada ao ensino superior no Brasil.

Em uma de suas interações, atendeu ao pedido de um seguidor alinhado ao governo Jair Bolsonaro (sem partido) para recorrigir a prova do Enem de sua filha. E com isso, a Defensoria Pública da União enviou no final de fevereiro um documento à Justiça para manifestar a “seríssima ofensa ao princípio da impessoalidade”.

Dorini lembrou que trata-se de um pilar da administração pública, previsto na Constituição Federal.

“Se aqueles que fazem pedidos informais nas redes sociais para revisão da nota são atendidos, por que não o são aqueles que o fizeram pelo canal criado pela própria Administração? E por que não se informa adequadamente cada um dos solicitantes da revisão, caso de fato ela já tenha sido realizada, já que o próprio Ministro da Educação pôde fazê-lo pelas redes sociais para alguém que aparentemente ele sequer conhece pessoalmente”? João Paulo Dorini, procurador da Defensoria Pública da União.

A representação foi feita na ação que resultou na decisão da Justiça Federal de São Paulo de suspender a divulgação do resultado do Sisu. A decisão ordena que o MEC explique como checou a nota dos estudantes.

Por unanimidade, a Comissão de Ética Pública da Presidência da República decidiu, também em fevereiro (28), em sessão fechada, aplicar uma advertência ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, informou o Antagonista.

No ano passado, quando petistas criticavam o governo pelo caso do sargento que foi preso com 40 kg de cocaína numa viagem para a Espanha, Weintraub escreveu no Twitter que o “avião presidencial já carregou drogas piores que a cocaína”.

Vale lembrar que sua administração chegou acusando diversas faculdades de todo o Brasil de balbúrdia. E que a defesa destas estava repleta de fake news. Só que diante de seu péssimo 2020 (ainda é janeiro), fica a dúvida: o ministro do MEC vai continuar fazendo gracinha?

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