11 de agosto de 2020Informação, independência e credibilidade
Brasil

Partidarizado, Ministério Público entra em crise e Aras bate-boca com procuradores

A reunião para discutir o orçamento da instituição para 2021 rendeu brigas

Chefe do Ministério Público Federal, Augusto Aras, bate boca com colegas em reunião virtual

Em sessão virtual do Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), nesta sexta-feira, 31, para discutir proposta orçamentária da entidade em 2021, o conselheiro Nicolao Dino acusou o procurador-geral da República, Augusto Aras, de cercear a palavra dos membros do órgão colegiado.

“Vossa Excelência quer estabelecer um monólogo e não um diálogo. Isso nunca aconteceu na história deste colegiado”, disse Dino depois de ter o pronunciamento inicial interrompido por Aras antes de conseguir concluir fala crítica ao chefe do Ministério Público Federal pelos ataques recentes disparados por ele à Operação Lava Jato.

Em resposta, Aras insistiu que não aceitaria ‘ato político em uma sessão de orçamento’. “Essa sessão é de orçamento. Solicito a Vossa Excelência que reserve suas manifestações pessoais e de seus colegas, meus colegas, para após a sessão. Isso aqui não será um palco político de Vossa Excelência”, rebateu o PGR.

Aras acusou colegas de vazarem manifestações à imprensa, pediu que as considerações fossem deixadas para o final da sessão e adiantou que pretende rebater os questionamentos com documentos.

“Após a sessão do orçamento Vossa Excelência terá a palavra e eu irei replicar os pretextos de Vossa Excelência e o farei com documentação de que disponho em mãos para acabar com qualquer dúvida acerca dos fatos. É com documentos que responderei a Vossa Excelência e a todos os conselheiros”, disparou.

Colegas, como conselheira a Luiza Frischeisen, saíram em defesa de Dino e pediram a chance de se expressarem sobre os ataques recentes dirigidos por Aras à Lava Jato.

“Eu acho que é importante que todos nos manifestemos nesse órgão colegiado e possamos debater com Vossa Excelência como Vossa Excelência tem debatido com outros profissionais do Direito. Vossa Excelência debateu com advogados, senadores da República”, disse, em referência à transmissão ao vivo em que Aras defendeu a necessidade de superar o ‘lavajatismo’ e levantou suspeitas sobre o volume de dados conservado pela força-tarefa e os critérios usados para obtê-los.

Uma eventual remodelação das forças-tarefas, vigentes até setembro, deve entrar no debate orçamentário do Conselho. Atualmente, o colegiado discute a possibilidade de reunir todas as forças-tarefas sob comando único sediado em Brasília. O projeto criaria a Unidade Nacional de Combate à Corrupção e ao Crime Organizado (Unac), subordinada ao procurador-geral, para atuar no combate à corrupção, a atos de improbidade administrativa e ao crime organizado.

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