11 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Economia

Perdido diplomaticamente, Brasil prioriza visto para Taiwan e arrisca crise com China

Governo de Taiwan não é reconhecido oficialmente pelo governo chinês, o maior comprador de produtos brasileiros

Presidente da República, Jair Bolsonaro, durante recepção ao Presidente da República Popular da China, senhor Xi Jinping.

Em outubro, o presidente Jair Bolsonaro disse que iria isentar chineses e indianos da necessidade de visto para entrar no Brasil. Estes passariam a ter direito ao visto eletrônico brasileiro, já concedido  aos moradores dos Estados Unidos, da Austrália e do Japão.

Porém, telegramas diplomáticos mostram que o Itamaraty está priorizando a implementação do visto eletrônico para os passaportes emitidos pelo governo de Taiwan.

E não há qualquer iniciativa para estender o benefício a chineses e indianos, ao contrário do que foi dito por Bolsonaro durante sua viagem à Ásia. O Ministério das Relações Exteriores (MRE) trabalha para garantir o visto eletrônico aos taiwaneses pelo menos desde agosto, segundo as mensagens.

O problema é que China e Taiwan, historicamente, não possuem laços diplomáticos. Muito pelo contrário.

Logo, se com o amigo Trump houve entraves e os Estados Unidos voltaram a taxar o aço e alumínio brasileiros exatamente por causa dos laços com a China, apesar de nossa abertura de pernas para o Governo dos EUA, o que não fariam os chineses, neste que é mais um desastre diplomático do governo Bolsonaro.

O governo de Taiwan não é reconhecido oficialmente pela República Popular China. Por isso, qualquer gesto diplomático na direção do governo da ilha é visto com desconfiança pelas autoridades chinesas.

A China é a principal compradora dos produtos brasileiros desde o começo desta década. Segundo os dados do Índice do Comércio Exterior (Icomex), da Fundação Getúlio Vargas, o país asiático foi o destino de mais de um quarto (27,8%) das exportações brasileiras este ano, até outubro. Em 2018, o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu a marca recorde de US$ 98,5 bilhões.

 

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