24 de fevereiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Planalto avisa demite Alvim da secretaria de Cultura

Recado foi transmitido na manhã desta sexta após repercussão do caso e manifestação pública da classe política

Após a Secretaria de Comunicação da Presidência da República informar que o Palácio do Planalto não comentaria o vídeo em que o Secretário de Cultura,Roberto Alvim, parafraseia um discurso de Joseph Goebbels, ministro da Propaganda da Alemanha nazista, o Palácio resolveu agir.

Líderes do Congresso foram informados que o Secretário da Cultura, Roberto Alvim, será demitido do cargo. O recado foi transmitido na manhã desta sexta (17) após repercussão do caso e manifestação pública da classe política.

Entre os que pediram a saída de Alvim está o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e p deputado federal Alexandre Padilha (PT-SP). O ministro da Secretaria de Governo, Luiz Ramos, telefonou para líderes do Congresso e avisou que o porta-voz da Presidência, general Rego Barros, deve anunciar a demissão.

Nazista

O vídeo foi postado pela Secretaria Especial da Cultura do governo Bolsonaro para divulgar o Prêmio Nacional das Artes, lançado horas antes em live com a participação do próprio presidente, e o trecho nazista é altamente indentificável.

“A arte alemã da próxima década será heroica, será ferreamente romântica, será objetiva e livre de sentimentalismo, será nacional com grande páthos e igualmente imperativa e vinculante, ou então não será nada”. Joseph Goebbel Ministro de cultura e comunicação de Hitler.

O trecho faz parte de um pronunciamento para diretores de teatro, segundo o livro “Goebbels: a Biography”, de Peter Longerich. Já Alvim, no vídeo, não foi muito longe:

“A arte brasileira da próxima década será heroica e será nacional. Será dotada de grande capacidade de envolvimento emocional e será igualmente imperativa, posto que profundamente vinculada às aspirações urgentes de nosso povo, ou então não será nada”. Roberto Alvim, secretário de Cultura de Bolsonaro.

Além dos trechos do pronunciamento, a estética do vídeo, a aparência do secretário, o vocabulário, o tom de voz e a trilha sonora escolhida também fizeram várias personalidades compararem a divulgação à propaganda nazista.

Semelhanças em vídeos de Alvim e Goebbels são mais que mera coincidências

A fala de Alvim levou o nome de Goebbels a ser um dos mais citados no Twitter durante a madrugada e fez com que centenas de internautas repudiassem a referência nazista e postassem comparações com a propaganda de Hitler.

O pronunciamento de Alvim foi gravado em uma sala que tem o retrato do presidente Jair Bolsonaro ao fundo, a bandeira brasileira de um lado e uma cruz do outro.

Como se não fosse o bastante, uma das músicas de fundo, que veio da ópera “Lohengrin”, de Richard Wagner, era uma obra que Hitler contou em sua autobiografia ter sido decisiva em sua vida.

Coincidência infelz

A repórter Kelly Matos, da Rádio Gaúcha, logo na primeira pergunta da entrevista com o secretário nacional de Cultura, Roberto Alvim, perguntou se ele era nazista.

Nervoso, ele negou a vinculação com a ideologia nazista e tentou justificar-se, alegando ter plagiado a frase de Joseph Goebbels (1897-1945) sem saber que ministro da propaganda do Terceiro Reich era o autor.

“O que aconteceu foi o seguinte: há uma frase onde há uma coincidência retórica com uma frase do Goebbels. Quando estávamos escrevendo o discurso, eu e assessores, eu escrevi 90% do discurso, mas houve um brainstorm e foi buscado o tema nacionalismo em arte, então varias coisas que chegaram, e quando você busca no Google algum conceito, aparecem várias coisas. Eu reescrevi esse material inteiro, e houve uma infeliz coincidência retórica, cuja forma e extremamente semelhante com a frase original do Gobbels. Uma coincidência infeliz, não sabia a fonte”. Roberto Alvim.

No final da entrevista, um âncora da rádio insistiu na primeira pergunta, que não havia sido devidamente respondida pelo secretário:

“Não, evidentemente que não. Eu trabalho com cultura, sensibilidade, empatia. Evidentemente não tenho nenhuma relação com um regime assassino”. Roberto Alvim.

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