13 de dezembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Política

Procuradora que desmentiu porteiro no caso Marielle é bolsonarista de carteirinha

Também há imagens dela ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim, que com o deputado federal Daniel Silveira (PSL) quebrou uma placa com o nome da vereadora assassinada

A promotora Carmen Eliza Bastos de Carvalho, do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), que participou de entrevista coletiva sobre o caso Marielle Franco na quarta-feira (30), é bolsonarista de carteirinha. Assumida, ela fez campanha e tudo mais pela eleição de Jair Bolsonaro em 2018.

Imagens de seu perfil no Instagram, que circulam na manhã desta quinta-feira 31 nas redes sociais, revelam que ela foi uma entusiasta da campanha do então candidato. “Há anos que não me sinto tão emocionada”, escreveu, no dia 1º de janeiro deste ano, quando postou uma imagem da posse do presidente.

No Instagram de Carmem também há imagens dela com uma camisa com o rosto de Bolsonaro, e uma foto ao lado do deputado estadual Rodrigo Amorim (PSL). Ao lado do deputado federal Daniel Silveira (PSL), ele quebrou uma placa com o nome da vereadora Marielle Franco durante a campanha eleitoral de 2018.

Ontem, o MP afirmou que o porteiro que cita Jair Bolsonaro em seu depoimento mentiu. A investigação teve acesso à planilha da portaria do condomínio e às gravações do interfone. Daí,teria sido comprovado que o porteiro interfonou para a casa 65 e que a entrada de Élcio foi autorizada por Ronnie Lessa, com quem se encontrou.

O Ministério Público disse que o porteiro pode ter anotado que Élcio foi para a casa de Bolsonaro por vários motivos e que eles serão apurados. E que todas as pessoas que prestam falso testemunho podem ser processadas.

Essa foi a primeira vez que Carmen Eliza Bastos participa de uma coletiva de imprensa sobre o caso Marielle Franco. Nos outros posicionamentos do MP do Rio, a responsabilidade de dar explicações aos jornalistas sobre o rumo das investigações foi das promotoras Simone Sibilio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), e Letícia Petriz.

Bolsonarista

Entretanto, integrante do MP, Carmen Eliza várias, já retiradas de seu perfil (privado) no Instagram, apoiando o presidente:


Proteção à testemunha

A bancada de senadores da Rede enviou um ofício ao governador do Rio, Wilson Witzel, para que o porteiro que citou Jair Bolsonaro num depoimento sobre o assassinato de Marielle Franco seja incluído em um programa de proteção a testemunhas.

Os parlamentares da Rede dizem que o porteiro passou a ser “o foco” depois que o presidente pediu ao ministro Sergio Moro, da Justiça, que ele fosse ouvido. Houve ainda um pedido de abertura de inquérito encaminhado à PGR (Procuradoria-Geral da República).

No documento, os senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Pedro Ivo Batista (Rede-DF) afirmam que a iniciativa de Bolsonaro e de Moro “a imputação de eventuais crimes à testemunha caracteriza uma verdadeira coação moral e também uma forma de impedir seu testemunho livre e isento”, ou seja, “uma perseguição pura e simples”.

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