28 de fevereiro de 2020Informação, independência e credibilidade
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Quando a corrupção lhe invade a casa o chocolate derrete

Família Bolsonaro sente na pele o gosto amargo da acusação de corrupção

Flavio Bolsonaro: vai um chocolate aí

Ser flagrado na corrupção é, convenhamos, uma chateação e tanto. A família de sua excelência, o presidente Jair Bolsonaro, sente na pele agora um gosto amargo – e não é de chocolate – com a acusação ao senador Flávio.

As relações perigosas da família inteira com os milicianos cariocas – uma máfia de policiais e ex-policiais, bandidos que matam e exploram moradores de favelas – não poderia dar em outra coisa.

Ninguém mergulha na política e passa por ela incólume. Quase sempre, a política é a arte da enganação, da desfaçatez, da mentira e, não rara às vezes, do malfeito. Há pequenas ilhas, menos comprometidas, abrigando uns e outros mais sóbrios nesse mundo.

Mas, a família de Jair Bolsonaro é toda ela do mercado político. É pai, mulher e filhos todos com mandatos há anos. Os parentes que não tiveram mandatos foram empregados no gabinete do filho 01, quando este era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, bem como no gabinete de seu Jair, enquanto deputado federal. Não viu quem não quis ver.

Mas, vale a história da velha filosofia: ‘nada do que é humano me é estranho’.

Como não viviam nos holofotes do poder tudo que faziam passava despercebido, incluindo os negócios com os facínoras milicianos, gente que faz da bala do revólver o melhor argumento para se dar bem.

O pior é que posavam de únicos donos da honestidade, da moral e dos bons costumes. Daí, o culto ao roteiro à narrativa de que corruptos são sempre os outros.

Amigo de seu Jair desde 1984, Fabrício Queiroz movimentou R$ 7 milhões em três anos, segundo o Coaf, e ainda se deu ao luxo de fazer alguns depósitos na conta da primeira dama do País.

Mas, também dessa graninha (dinheiro público em espécie) movimentada pelo famoso Queiroz, o patrão dele, Flávio Bolsonaro, lavou R$ 2,3 milhões com imóveis e uma loja de chocolate que adoça a boca e rega o bolso.

Agora, na defesa do pimpolho, seu Jair ataca o Ministério Público e o juiz do caso. É humano, sim, para um pai que se vê flagrado no mar de lama da corrupção que lhe invadiu a própria casa.

O melhor argumento encontrado é que a acusação é coisa de comunista. Ou, talvez, de uma conspiração satânica comandada por demônios da terra plana, em tempos de panetone.

Enfim, que tudo se esclareça antes que o paladar mude com chocolate fino a derreter

 

 

 

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