1 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
Notícias

Refugiados sofrem mais que os miseráveis dos quatro cantos do Brasil?

Uma pergunta recorrente, quando julgar parece mais importante que agir

Campo de Refugiados em Malawi, África

Refugiados. Abordar um tema que evoca tanta polêmica só mesmo trazendo junto um sentimento latente no coração de gente do bem, e até do mal. Ele, o amor.

Pasmem, até uma mente psicopata pode ser atingida pelo amor. O neurocientista americano James Fallon conta em “The Psychopath Inside”, que se descobriu psicopata, em 2005, quando analisava tomografias de cérebros de assassinos em série, comparando com exames de cérebros “normais”.

Enfim, uma história longa, mas a menção a isso aqui é  só pra destacar que, baseado no aprofundamento de suas pesquisas, ele constatou que  o meio ambiente amoroso onde viveu e ainda vive venceu o determinismo genético.

Pois é, só o amor, com toda sua universalidade, pode explicar também o que faz alguém se interessar pela causa dos refugiados. Essas  pessoas  são mais sofredoras, por exemplo, que os  miseráveis habitantes dos quatro cantos do Brasil?

Essa pergunta é sempre recorrente, quando julgar parece mais importante que agir, quando governos e ativistas  promovem ações de acolhimento e amparo a refugiados.

Bom, a resposta pode ser: sim, os refugiados sofrem mais que  os miseráveis nacionais. Enquanto os miseráveis nacionais ainda têm chance de ter sua dignidade garantida por  gestos de amor, em seu próprio país,  homens, mulheres, crianças e idosos refugiados não têm sequer uma pátria.

Muitos deles, nem mesmo família. Não fugiram apenas da pobreza extrema, mas de guerras civis, da repressão em diversos níveis, nos seus países. Simplesmente não pertencem mais a nenhum lugar.

Os refugiados são como espelhos que  mostram o futuro do desamor, mas, ainda assim, é claro que a questão não é sair por aí julgando se eles sofrem mais ou menos que um nacional. Contudo, acolhê-los ou ir até eles oferecer um pouco de amor pode ser importante para se refletir sobre até onde pode chegar a intolerância em nosso próprio país.

É isso. Escrevi este texto inspirada em fotos e informações de minha filha Tainá Carvalho, que está, há alguns dias, em Malawi (África) junto com a caravana de voluntários da organização humanitária brasileira Fraternidade sem Fronteiras, criada em 2009.

Dentre tantos projetos, inclusive no Brasil, a ONG montou, em Malawi, o  Centro de Acolhimento e Projeto “Nação Ubuntu”, no campo de refugiados organizado pela ACNUR (ONU). Lá, atualmente, há 44 mil pessoas. A cada mês, chega uma média de 700 pessoas física e emocionalmente traumatizadas, fugindo do Congo e de outros países em guerra.

O “Nação Ubuntu” está construindo escola para 2 mil crianças. Segundo a ONG, há oito salas prontas, refeitório com obras paralisadas em fase de término, necessitando urgentemente de doação.

A ideia é oferecer formação profissional para os adultos, projetos culturais de esporte, música, dança, poesia e escrita para os jovens (acontecendo regularmente), oficinas de costura, agrofloresta, biocarvao (já autosustentando as famílias envolvidas neste trabalho) dentre outras ações, para que todos se sintam dignos, pertencentes e possam ter alguma perspectiva de futuro.

Além das caravanas organizadas para que voluntários de diferentes formações possam ir lá contribuir com trabalho, a ONG sustenta as atividades buscando apadrinhamentos.  Clique aqui para saber mais sobre esse trabalho lindo.

 

 

2 Comments

  • Agradeço de coração suas palavras, Dr.Hemerson.O Blog está sempre aberto à divulgação da sua luta pessoal e coletiva pelo acesso a novos tratamentos para doenças raras.Um abraço!

  • Avatar Hemerson Casado Gama

    Minha querida amiga Graça. Eu queria te parabenizar pela matéria tocante e reflexiva, sobre a terrível situação em que os refugiados, não apenas em Malawi, mas em todo o mundo, como o que rescentemente presenciamos, aqui no Brasil, em relação aos Venezuelanos. Eu também preciso te parabenizar pela sua filha, a qual sempre envolvidas em causas de importância para a humanidade.

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.