15 de novembro de 2019Informação, independência e credibilidade
Brasil

Satélites americanos não encontram origem de óleo vazado nas praias do NE

Mesmo utilizando seus recursos tecnológicos mais avançados para ajudar o governo brasileiro, nada foi encontrado

O mapa indica a área que foi vasculhada pela agência americana em busca da origem do petróleo que vazou no litoral nordestino. Foto: Divulgação/NOAA

Especializado em identificar e conter vazamentos de petróleo no mar, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA, na sigla em inglês) fez uma varredura em uma extensa área do Oceano Atlântico, próxima ao litoral nordestino, com base em imagens dos sistemas satelitais Sentinel 1 e Sentinel 2, operados pela Agência Espacial Europeia.

O resultado, porém, acrescenta mais um toque de mistério às investigações sobre o que causou as manchas de óleo que se espalharam pela região: mesmo utilizando seus recursos tecnológicos mais avançados para ajudar o governo brasileiro, nada foi encontrado.

Em alguns pontos, a varredura chegou a cobrir uma distância de mais de 700 quilômetros da costa brasileira. Foram analisadas imagens entre 25 de agosto e 7 de outubro. O relatório enviado na semana passada a representantes do governo brasileiro, no entanto, aponta que não foram encontradas indícios de petróleo na área investigada.

Os técnicos procuraram indícios de petróleo no mar em imagens feitas ao longo de várias semanas que cobrem toda a extensão da área hachurada, mas que as análises dia a dia só foram feitas em trechos menores dessa área

.”Infelizmente, a análise não identificou qualquer anomalia de petróleo para ajudar a identificar a fonte do vazamento. A análise foi conduzida de maneira consistente com a metodologia que os Estados Unidos usam para monitorar poluição por petróleo em nossas águas”. Relatório do Governo após buscas da NOAA.

Localização do naufrágio do navio alemão

Venezuela, Shell e Segunda Guerra

Apontada como uma hipótese para o derramamento de óleo nas praias do Nordeste, a circulação de navios fantasmas petroleiros pelo Atlântico pode ser motivada pelas sanções econômicas dos Estados Unidos à Venezuela, segundo especialistas.

Análises sobre a mancha de poluição, que atinge 156 localidades de 71 municípios, já indicaram que a substância achada nas praias tem “assinatura” venezuelana, mas a origem do poluente ainda é desconhecida.

O Ibama também vai cobrar explicações da Shell sobre o aparecimento de barris no litoral do Nordeste atrelados à empresa. O órgão pedirá cópia do laudo técnico da Universidade Federal de Sergipe (UFS) sobre o material que foi encontrado nos barris que chegaram ao litoral do estado. A Shell já afastou relação entre os barris e as manchas de óleo.

Entretanto, existe a possibilidade do vazamento vir de um navio alemão, afundado em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

Um grupo de pesquisadores estudando a origem do óleo que está desaguando nas últimas semanas em praias do Nordeste trabalha com a hipótese do afundado décadas atrás estar sofrendo novo vazamento.

A teoria está sendo investigada pelo químico oceanógrafo Rivelino Cavalcante, da Universidade Federal do Ceará (UFC), que saiu em expedição nesta semana para coletar amostras a serem enviadas para o Instituto de Oceanografia de Woods Hole (WHOI), nos EUA, que vai investigar a composição do material.

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