9 de abril de 2020Informação, independência e credibilidade
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Sem barreiras: Coronavírus tem portas abertas nos aeroportos brasileiros

Alagoano passou por quatro aeroportos, sem nenhuma abordagem preventiva à doença.

Marcelo Avelino, de volta pra casa – Foto cortesia

Assustada eu fiquei com o relato do alagoano Marcelo Avelino sobre a facilidade com que passou por quatro aeroportos internacionais, até chegar em Maceió – retornando de uma viagem por países europeus – sem a menor abordagem em relação ao coronavírus.

Ele participou do cruzeiro que saiu do Recife no dia 4 de março, cuja tripulação está, em grande maioria, retida em Lisboa, devido à suspensão dos voos frente à pandemia do coronavírus. Passou pela Espanha e esteve dois dias em Portugal. A viagem de navio teve problemas, sendo desautorizada de aportar em alguns lugares previstos – cidade de Mendelo, em Cabo Verde, e Lisboa, em Portugal. A tripulação conviveu com a suspeita de duas pessoas contaminadas pelo Covid-19 a bordo.

Na volta para casa, Marcelo embarcou no aeroporto de Lisboa, no dia 17, poucas horas antes de o governo de Portugal decretar emergência por causa da pandemia do coronavírus.

Tiquetes de viagem Lisboa – São Paulo – Recife

Entrou no Brasil pelo aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, estado brasileiro com maior índice de pessoas infectadas pelo vírus, com os primeiros casos de morte confirmados e inclusive com registro de transmissão comunitária. Nenhuma abordagem. Nem para saber de onde veio e por onde andou.

Pegou novo voo para Recife, onde chegou às 20h30 e de onde embarcou para Maceió às 23h. Pernambuco também já registrou situações de transmissão comunitária do Covid-19. Nenhuma abordagem. Chegou no aeroporto Zumbi dos Palmares no início da madrugada de ontem e foi direto para casa, sem que ninguém lhe perguntasse nem de onde veio.

“Passei por quatro aeroportos, atravessei a fronteira entre dois países, sem nenhuma abordagem; nem uma pergunta sobre de onde em vim, por onde andei; nenhum agente de saúde para saber se eu estava bem, se apresentava algum sintoma; nada. A passagem está escancarada, absolutamente livre nesses aeroportos brasileiros”, disse ele.

Marcelo está em casa. Por decisão própria, disse que está isolado. Mas pergunta: e quem não tem essa consciência? Perguntei se vai fazer o teste, ele responde: “Estou num dilema. O certo seria haver um controle na entrada; deveria ter equipe fazendo coleta para o teste de quem chega no aeroporto. Mas não está havendo esse acompanhamento. Eu passei tranquilamente. Agora eu teria que ir a uma UPA, expor doentes que já estão lá debilitados, correndo o risco de, se eu estiver contaminado, transmitir para outras pessoas. Vou ficar em casa aguardando se aparece algum sintoma”, diz ele.

Esse episódio é apenas um caso de muitos que devem estar acontecendo. Quantas pessoas mais estão entrando no Brasil; no Estado, sem nenhuma barreira? Cadê as autoridades sanitárias, aeroportuárias e de governo? Esse descuido é de uma insensatez e de uma gravidade sem tamanho!

CONCLUSÕES

O Brasil é, de fato, o país das contradições. E as estratégias de combate e prevenção à disseminação do coronavírus é um trágico exemplo disso.

Ora é o comportamento do presidente da República, que sem o menor senso de responsabilidade coletiva contraria as recomendações do seu Ministério, sobre reclusão e proibição de aglomerações de pessoas, e se mete numa manifestação pública, troca abraços e afagos, rostinho colado para fotografia, quando deveria estar de quarentena, depois de voltar de uma viagem em que grande parte da sua comitiva foi contaminada pelo Codiv-19.

Ora (novamente as autoridades públicas federais e estaduais) determinando a suspensão de aulas, fechamento de escolas, cinemas, academias, parques de diversão, suspendendo eventos e até atividades laborais, para que as pessoas fiquem em casa (medidas necessárias para conter a pandemia, diga-se de passagem), e deixam as portas dos aeroportos escancaradas para a entrada do vírus.

Tem mais conclusões. Mas…

Que Deus nos acuda!

One Comment

  • Avatar Armando durval

    O interessante é perceber que toda segurança é dada a classe mais abastada a exemplo do fechamento cinemas e teatro. A redução horário nos shopping e os cuidados com os aeroportos. não que isso não seja urgente mas existe um grupo bem maior de pessoas expostas a esse vírus, aqueles que andam de ônibus, os pobres trabalhadores do comercio (que mantem contato com esse vírus diariamente) que não tiveram tbem seus horários reduzidos. finalizando os pobres é que se explodam!

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