25 de fevereiro de 2020Informação, independência e credibilidade
Política

Weintraub se explica no Senado sobre Enem 2019 e fala em “probleminhas” e terrorismo

Ministro foi convidado a comparecer à sessão para explicar os erros no Enem e no Sisu

O ministro da Educação, Abraham Weintraub, teve que se explicar ao Senado sobre os erros do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) 2019, nesta terça (11), em uma audiência da Comissão de Educação.

E ele preferiu chamar o que aconteceu de “probleminhas”, e afirmou ter havido uma “linha extremamente terrorista” para desacreditar a prova por parte de políticos, da imprensa e de alguns grupos econômicos. Claro, não citou nomes.

O ministro foi convidado a comparecer à sessão para explicar os erros no Enem e no Sisu (Sistema de Seleção Unificada), programa do governo que seleciona candidatos a vagas em instituições públicas de ensino superior.

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Na oportunidade, Weintraub voltou a minimizar o problema e disse que o erro afetou 0,15% dos inscritos que fizeram as provas no ano passado. “Não houve prejuízo a nenhum participante”, disse o ministro, que mais uma vez afirmou ter feito o “melhor Enem de todos os tempos”.

No entanto, o Enem de 2019 teve uma série de problemas:

  • A gráfica que era responsável pela impressão do Enem declarou falência, e uma nova foi contratada com dispensa de licitação;
  • uma foto da prova de redação vazou durante a aplicação do exame;
  • pelos erros no Enem, a divulgação do Sisu chegou a ser suspensa pela Justiça;
  • mesmo após a proibição, uma lista de aprovados no Sisu foi vazada.

Ao apresentar gráficos sobre o nível de percepção de candidatos em relação ao Sisu, ou seja, a satisfação perante o processo, o ministro disse que no primeiro dia da divulgação das notas “teve esses probleminhas, mas, a partir daí, se vocês notarem, foi muito próximo de 100%”.

Weintraub afirmou reconhecer que a edição do Enem do ano passado não foi “perfeita”, mas disse houve problemas em governos anteriores e criticou fortemente a imprensa e supostos militantes.

“É inequívoco que no Brasil, ao longo dos últimos anos, houve uma judicialização de questões políticas. Mesmo esse Enem, desde 2018, desde o começo do ano passado, houve a pretensão de paralisar o processo. Desde o começo do ano passado fala-se que não vai ter o Enem. E houve. Porque o objetivo é gerar terror, desmobilizar a sociedade. […] Desde o começo, alguns grupos parlamentares, alguns grupos econômicos e alguns meios de comunicação hegemônicos adotaram uma linha extremamente terrorista no processo”. Abraham Weintraub, ministro da Educação.

O Inep alegou que o erro foi provocado por uma das gráficas que imprimiram a prova. Os resultados do Enem e do Sisu, que permite o acesso de estudantes à universidade, foram divulgados após reparação das notas e brigas judiciais.

O ministro disse que começou a perceber reclamações sobre as notas do Enem ao entrar no Twitter e ver pedidos de revisões por parte de estudantes que não pareciam “militantes” nem ter intenções “maldosas”.

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